[Cinema] A Rainha

O enfoque do filme está nas repercussões que a morte dela trouxe para a Inglaterra e principalmente para a família real — leia-se aí a rainha Elizabeth (vivida aqui pela sensacional Helen Mirren). E, além disso, não deixa de ser um filme pró-Blair e, também, pró-monarquia.

A história do filme começa no início do ano de 1997. Vemos a primeira posse de Tony Blair como primeiro ministro (onde ele é até um pouco satirizado pela sua aversão às tradições) e seu difícil relacionamento com a rainha. Daí damos um salto para Agosto do mesmo ano, mostrando o relacionamento de Diana com Dodi Al Fayed.
Com seis indicações para o Oscar (entre elas as de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Diretor) o filme justifica muito cada uma delas. O enredo é interessante, mas não é nada de sensacional. O que, sem dúvida alguma, contribui demais para a grandiosidade do filme são as atuações e a direção. A maneira como as coisas são conduzidas é brilhante, o que fez com que esse se tornasse um dos principais filmes do ano. Além disso, o diretor mescla o tempo todo imagens reais, com as ficcionais produzidas por ele, dando ao longa um certo ar de documentário e de retrato exato da realidade.
Helen Mirren é o ponto alto, porque além de estar fisicamente muito parecida com a rainha Elizabeth, nota-se que houve uma preocupação com o laboratório dessa personagem. Dá pra perceber a sua dedicação para ser reconhecida como a rainha da Grã-Bretnha, uma vez que até os trejeitos estão idênticos. Ela está perfeita, magnífica e a coloca alguns passos a frente das outras candidatas ao Oscar. A propabilidade de que ela saia com a estatueta na mão é imensa e, se isso de fato acontecer, será uma decisão muito acertada.
A maneira como a morte de Diana é mostrada é totalmente subjetiva, plástica. A saída encontrada para não torná-la apelativa foi muito bem pensada, e a partir de então vamos sendo apresentados a outros membros da família real, que foram todos escolhidos a dedo, aliando semelhança física com excelente capacidade de atuação (o princípe Charles, pra ficar mais igual, só precisava das orelhas de abano).

O ponto principal do filme, apesar de tudo, é a educação britânica, a visão que eles têm de suas tradições e o quanto prezam por isso. Mas, muito além disso, notamos que tudo não passa de uma questão de ponto-de-vista, e que é impossível fazer o julgamento de alguém sem estar inserido no seu mundo. Há uma preocupação em mostrar que, apesar da máscara de resistência e de dama de ferro vestida pela rainha, existe ali uma mulher sensível, maternal, preocupada com a família, e isso fica ainda mais evidente no episódio do cervo e da menininha que lhe entrega flores.

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