sexta-feira, fevereiro 09, 2007

[Cinema] Pecados Íntimos

Geralmente, não existe meio termo em filmes indicados ao Oscar, ou pelo menos “Oscarizáveis”. Eles ou são muito bons ou são chatos a ponto de dar vontade de nos suicidarmos. Pecados Íntimos (Little Children, EUA 2006) não foge à regra. Mas consegue enganá-la um pouquinho.

Adaptado do livro Criancinhas de Tom Perrota (co-roteirista do filme), o filme conta diversas histórias, ao mesmo tempo, com uma central, já batida, na qual todas as outras se ligam — a da mulher e do homem infelizes com seus casamentos que se encontram em certo momento e se separam em outro.

É com essa história, lotada de humor negro, que o filme começa. Vai mostrando como é a vida de Sarah, uma mãe exemplar e esposa infeliz, muito bem interpretada por Kate Winslet — indicada ao Oscar por esse trabalho –, e a de Brad, pai exemplar e marido infeliz, vivido por Patrick Wilson, num típico subúrbio estadunidense. A gente vai entendendo os motivos de serem assim, de fazerem o que fazem, como se conhecem. Me lembrou um pouco Beleza Americana.

Sabe aquela sátira maravilhosa sobre a família estadunidense? Desde as mães falso-puritanas do parque às velhinhas safadas do clube do livro, tudo é citado e tudo é zoneado. De maneira leve, de longe. Alguns não vão entender esse tipo de coisa… Mas já se espera, afinal, é um filme que tá concorrendo ao Oscar. =]



Enquanto a relação dos dois vai ficando mais séria, o filme segue essa tendência, se tornando mais aflitivo, mais escuro, mais bizarro. Uma bela sacada do diretor e roteirista Todd Field que, dessa maneira, nos leva junto no aprofundamento da relação dos dois. E, à partir daí, começam a surgir outros personagens, como Kathy (Jennifer Connelly), a esposa de Brad, Larry (Noah Emmerich), o ex-policial frustrado, e Ronnie, o pedófilo, perfeitamente interpretado por Jackie Earle Haley — que também concorre a um Oscar por esse trabalho.

Kathy é a chefe da família. Ela produz documentários, enquanto Brad tenta passar no exame da Ordem de Advogados e cuida do filho. Ela o manda todas as noites para a biblioteca estudar, mas ele prefere ficar vendo uns garotos andando de skate. Numa dessas noites, surge Larry, que o leva a jogar futebol americano com alguns outros amigos — e a causar na frente da casa do pedófilo.



Nesse momento, quem se lembrar de Crash, não se assuste. Realmente lembra, principalmente a maneira como todas as histórias se juntam, em algum ponto. E não sobra nada que nos deixe dúvidas. O que era pra ser apenas um caso extra-conjugal de duas pessoas se torna algo infinitamente maior e mais complexo. Começa a envolver sonhos, realizações e relações pessoais.

É aquela coisa: duas pessoas, por mais que façam as mesmas coisas, podem estar querendo objetivos completamente diferentes. Sarah só queria uma companhia. Brad só queria se sentir importante. Se sentir bem consigo mesmo. Mas, no fundo, eles só querem ser felizes.